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Sauniére continuava a gastar dinheiro de maneira extravagante. Ele construiu uma luxuosa casa de campo chamada Villa Bethania, a qual ele nunca ocupou. Construiu também um jardim com muitas árvores e animais exoticos: 2 cachorros, 2 macacos, pavões, peixes raros...colecionava porcelana rara, tecidos preciosos e mármores antigos; reuniu uma incrível biblioteca. Dava banquetes suntuosos aos paroquianos e recebia muitas visitas ilustres, dentre elas estava Emma Calvé, uma diva na época. Ela foi apresentada ao padre por Hoffet durante sua visita à Paris e acredita-se que eram amantes, sendo ou não, o fato é que Sauniére freqüentemente recebia visitas de Emma Calvé em Rennes-le-Château. Entre outras figuras ilustres estava o ministro da cultura do governo francês e ainda, talvez o mais estranho visitante do "desconhecido" padre provinciano tenha sido o arquiduque Johann von Hadsburgo, um primo de Franz Josef, imperador da Áustria. O que intriga, é que nessa época (1916), a Áustria estava em guerra com a França, então, o que levaria um arquiduque austríaco a visitar uma longínqua cidadezinha dos Pirineus?
Extratos bancários revelaram depois que Saniére e o arquiduque haviam aberto contas no mesmo dia, e que este último havia transferido para a conta do padre uma soma substancial de dinheiro. O padre ainda mantinha contato com o banco Petitjean em Paris. Ainda tinha contas no Banco de Languedoc e Roussilon em Perpignan e no Banco Pommier e Pavie em Toulouse. As autoridades eclesiásticas, no início, apenas observavam, contudo, quando o superior de Sauniére morreu, em Carcassonne, o novo bispo tentou chamar o padre à ordem. Sauniére foi insolente e recusou-se a explicar sua riqueza e a aceitar a transferência que o bispo ordenava. Mais tarde, o padre foi exonerado pelo Vaticano que depois o reinvestiu.
No dia 17 de janeiro de 1917, Sauniére, com 65 anos, sofreu um derrame cerebral. Ele pediu a presença de Riviére, padre em Couiza, para ouvir a última confissão e administrar a extrema-unção. A confissão foi longa e quando Riviére saiu ele estava visivelmente chocado e dizem que, com base na confissão de Sauniére, recusou-se a administrar-lhe o último sacramento. Sauniére morreu em 22 de janeiro de 1917 e gastou o equivalente a milhões de reais durante sua vida.
A leitura do testamento do padre era esperada com grande ansiedade, mas quando o testamento foi aberto, descobriu-se que ele não possuia nada. Antes de sua morte, Sauniére teria transferido toda sua fortuna para Marie Dernarnaud, que compartilhara de sua vida e seus segredos por 32 anos. Depois da morte de seu mestre, Marie continuou a viver confortavelmente em Villa Bethania até 1946. Após a segunda grande guerra, o governo francês recém instalado, estabeleceu uma nova moeda como meio de apreender sonegadores de impostos, colaboradores e especuladores do tempo da guerra (os cidadãos franceses eram obrigados a declarar seus rendimentos quando iam trocar os francos velhos por novos). Tendo que dar explicações de sua fortuna, Marie escolheu a pobreza, foi vista no jardim da mansão queimando maços de notas de francos velhos. Em 22 de setembro de 1946, Marie vendeu Villa Bethania, para se sustentar, para Noel Corbu. Marie e a família Corbu eram bons amigos e disse a Noel que antes de morrer, lhe contaria um segredo que não só o deixaria rico, mas poderoso. Infelizmente em 29 de janeiro de 1953, Marie sofreu um inesperado derrame cerebral que a deixou inválida e incapaz de falar e para a grande frustação de Corbu, morreu pouco tempo depois, carregando o segredo consigo.
Algumas considerações: a data em que o padre Sauniére sofreu o derrame é muito suspeita, 17 de janeiro. É a mesma data que aparece na tumba da Marquesa de Haultpoul de Blanchefort e 17 de janeiro também é a festa de Saint Sulpice (foi em Saint Sulpice que ele confiou os pergaminhos ao abade Bieil e a Emile Hoffet). O que torna o derrame ainda mais suspeito é que 5 dias antes, em 12 de janeiro, seus paroquianos declararam que ele parecia estar com uma saúde invejável para um homem de sua idade, no entanto, em 12 de janeiro, Marie Dernarnaud havia encomendado um caixão para o seu mestre; a própria morte de Marie, novamente um derrame cerebral é considerada suspeita por alguns.
Após a morte de Marie, Corbu abriu um restaurante em Villa Bethania onde ele
contava a história do padre; ele gravou uma fita e a ficava tocando para os
clientes do restaurante. Ele contava os fatos reais mas também inventava
alguns, não ganhou muito dinheiro e em 1968, o Sr. Corbu morreu em um acidente
de carro. Mais tarde, Villa Bethania foi comprada por um ocultista de Lyon:
Henri Buthion, que fazia várias palestras "especiais". Hoje em dia é
um restaurante aberto ao público que oferece palestras sobre diferentes
assuntos.